Atibes e Júlio trocavam um abastado diálogo sobre as composições de Chico Buarque, enquanto tomavam algumas cervejas no botequim do Seu Horácio, num bairro boêmio da cidade. Já sob efeitos alcoólicos, Atibes discorria uma empolgada análise sobre uma canção: A: - Geni é Jesus! J: - Tu estás é bêbado! Já a fazer tais disparates. A: - Ora! É só as pessoas dizerem o que pensam que já são atacadas com comentários jocosos. Disse e reafirmo: Geni é Jesus!
Atibes era um desses tipos comuns, família católica, criado nesse regime, porém, nunca foi praticante e nem mesmo simpatizante de tal seita religiosa, logo ficara com essa personalidade indecisa religiosamente.Desses que dizem não crer em Deus, mas é ao padre que recorre na primeira enfermidade.Já Júlio, era tipo desligado – quase um alienado.
J: - Em que se apóia essa tua afirmação tão firme? A: - Amigo Júlio, será necessário embasamento para tudo que dissermos?! Mas, se é isso que queres, encontrara tudo na música. Esta tudo lá. J: - Onde? A: - O caríssimo amigo conhece a obra de Chico Buarque? J: - Julga-me um tolo?! Obviamente que conheço, não a fundo, mas conheço. Ora bolas! A: - Não era minha intenção ofende-lo, desculpe esse pobre diabo que vos fala. Pois bem, (...).
A principal motivação para o trabalho, pelo menos na nossa sociedade, é o ganho que vamos adquirir no final dele, ou seja o salário. Esse “prêmio” que recebemos varia de acordo com a posição social de cada indivíduo, do tempo socialmente necessário para o trabalho e do valor de uso da mercadoria produzida. A maioria da população brasileira não se identifica no seu trabalho, ou seja está alienada. Produz pelo simples fato de receber no final do mês e com esse salário que irá receber poderá fazer diversas outras coisas que não estão ligadas ao trabalho: como sentar-se de frente para a TV, ir ao parque, viajar, assistir um filme, etc. Não vê nenhuma satisfação no seu trabalho, aliás só o faz como um meio de adquirir a “grana” necessária para sua sobrevivência, a reprodução de sua classe e ,no máximo, para sua satisfação pessoal. O dinheiro é apenas um pedaço de papel, que assegurado pelo lastro, tem um valor que é utilizado para o intermédio na troca de mercadorias que manifesta o valor produzido pelo trabalho humano. O valor então está no trabalho e não na mercadoria. Me parece que há algo errado pois o trabalhador não se importa com o seu trabalho, às vezes nem sabe o que produz, só aperta alguns botões numa máquina burra, faz uma tarefa repetitiva... Enquanto eu escrevia esse texto fui interrompido por uma ligação, era um colega de sala meu dando notícias de outro colega nosso que já faz 3 semanas que não vai a aula. Esse colega “desaparecido” está com um problema, aliás vários problemas, todos ligados a dinheiro. Ele nasceu no Maranhão e veio para cá em busca de oportunidades tanto de emprego como de estudo. Estava fazendo o curso de História na parte do noturno e trabalhando o resto do dia, mas está trabalhando em um supermercado, trabalha cerca de 12 horas por dia para ganhar um salário mínimo, que na própria lógica capitalista seria para manter suas necessidades básicas para a produção de seu trabalho, ou seja nem isso que seria o mínimo ele está recebendo; está sendo explorado! Humilhado, digo, pois nem estudar ele está conseguindo, pior ainda está sendo massacrado para produzir mais-valia para algum patrão boçal, que também é explorado pelo governo através de inúmeros e impagáveis impostos. Todo esse sistema feito para alguns tubarões engolirem e acumularem o fruto do trabalho alheio em forma de dinheiro, enquanto isso meu amigo, aliás com um ótimo futuro acadêmico, está impedido de fazer o que mais gosta, para se manter vivo! Isso tudo precisa acabar, devemos nos unir para construir uma sociedade onde todos os seres humanos tenham as mesmas oportunidades e tenham, no mínimo, a liberdade de escolha. Onde a satisfação venha antes de tudo, e que o trabalho não seja oprimido e alienado e sim uma maneira saudável dos seres humanos se interagirem, que o seu trabalho seja satisfatório e produtivo e não uma opressão e submissão em troca de papel.
Vamos lá tentar escrever um conto. Era uma vez... não, não outros já começaram assim, tudo bem é só tentar de novo! Num bairro qualquer de uma cidadezinha do interior qualquer Basquiat se arrumava, na verdade se emperiquitava pois ele sempre foi o excêntrico da cidade, desde de criança gostava de se vestir diferente das outras crianças de sua idade, dessa vez iria vestido de baiana mesmo, um modelito básico, da estação passada, mas nesses tempos de crise era o melhor que poderia arrumar. Ajeitou o cabelo, passou perfume, daqueles de matrona francesa, e retocou sua maquiagem com purpurina que comprou especialmente para esse dia. Ao sair passou, como de costume, na frente do bar do Mané só para provocar e se dar ao luxo de xingada (no feminino pois já era noite), adorava provocar todos os homens da cidade, mesmo aqueles que apenas fingiam o ser pois a maioria dos bêbados que a insultavam iam “Ter” com ela mais tarde. Chegou a seu ponto cumprimentou suas amigas, bateu o cartão... a noite foi longa, veio o prefeito e alguns caminhoneiros brutos, mas nada fora da rotina! Após terminar sua lida diária, passou direto do barzinho, onde afogava suas mágoas todo dia depois do trabalho, suas companheiras de trabalho estranharam tal movimento, mas Bianca (como preferia ser chamada) nem ligou continuou seu trajeto passou pelo coreto, subiu a ladeira, esgueirou-se pelas sombras das árvores da praça, atravessou até o meio da ponte, passou primeiro a perna direita, em seguida a esquerda, supirou e saltou! Flutuou. Apartir de então a ponte da cidade ficou conhecida como “ponte da bicha louca”, virou referencia nacional, ponto de encontro de bichas, travestis e prefeitos. Então, o conto (ou sei lá o que isso seja!) começou sem cabeça, terminou sem pé, a história é fraca e como em todo conto que se preze o mocinho ou mocinha morre no final o meu não poderia ser diferente e nada faz sentido, aliás eu nunca fui bom em narrativa, mas como diria uma amiga virtual minha: quem faz sentido é soldado. Fica aí registrado um grande fracasso, boa noite!
Sala de aula. Alguns alunos cheios de vontade de aprender. Outros mais interessados na festa da semana passada. Mas ela parecia alheia àquilo tudo. Não queria se envolver nessa aula, para ela de tão pouca utilidade. Já sabia ler e escrever, e suas redações não podiam ser comparadas às de suas colegas. Portanto, cada vez mais a aula parecia inútil. Era melhor pensar nas eleições presidenciais. Era a primeira vez que votava, e por isso mesmo se sentia tão responsável pelo futuro da nação. Um voto errado e... Mais uma vez o assunto esgotava-se em sua cabeça. Seus pensamentos voavam junto com seus olhos, perseguindo o relógio mais próximo. Como queria que a aula acabasse. Momento legal agora. Era aniversário de um dos alunos. O coitado ficou roxo de vergonha quando cantaram parabéns pra ele. Infelizmente esse momento foi passando, passando e acabou. Novamente a professora se desdobrava pelo silêncio. Como não conseguiu começou a filosofar bobagens extremamente descartáveis. 10 minutos finais. Agora cada segundo era tido como vitória. Uma idéia de aquela aula estava horrível e não acrescentava nada passou novamente pela cabeça de nossa humilde personagem. - Esse povo não sabe ler, e essa aula nunca vai acabar! – pobre garota. O desespero tomava conta de seus pensamentos. Nem três minutos haviam se passado. Pensou no namorado, em como gostava dele. Mas nem isso foi capaz de fazê-la esquecer isso, até que... Enfim, a aula tinha acabado!
...se agora eu escrevo é porque nada tenho. Me lembro de algo distante, léguas ou meses, realmente não me lembro bem, perdi em qualquer esquina, perdi em qualquer momento. O passado que me persegue, o futuro que me assombra, o presente que eu recebi, a conta, minha quota por mês. A fala se despede em vão, o vão da parede se parece comigo, o branco que me cerca, minha cerca de concreto, de concreto só o pó que fica entre as entranhas do prédio que ergui, o muro de Berlim, a China fica aqui do meu lado entre os livros, meus amigos, fugi, minha droga agora eu bebi, fumaça que se despede do meu corpo mal tratado, tratamento de choque...
Ali estava Ele, descrente com a vida. Era normal esse tipo de comportamento. Seu humor era muito volátil. Nesses dias, era amargo com todos em torno Dele. O colégio o estava enlouquecendo. Às vezes, queria ser um mero pequeno-burguês. Seguir uma doutrina religiosa qualquer, afinal, sempre achara todas um empecilho ao raciocínio lógico, tendo assim grande poder alienador.Resumindo, viver uma vidinha medíocre. Mas simplesmente não podia. Era inteligente demais para isso. Caso o fizesse, a culpa o acompanharia para o resto da vida, e assim seria pior – pensava Ele. Não era a família que o pressionava, e sim Ele. Sentia-se culpado por não gostar de estudar – entenda-se por não conseguir estudar. Sua auto-repressão foi tamanha que resolvera experimentar um meio de fuga da realidade mais eficiente dos quais estava habituado. Nessa experiência transcendental Ele relembra o seu gosto pelos estudos meios de compreensão da Sociedade, tais como Sociologia, Filosofia, etc. lembrara também da terra seus ascendentes; A Itália, suas mulheres e vinhos. E num espasmo racional, ainda sobre o efeito da droga, tivera a grande idéia: tornara-se um poderoso e corrupto Clérigo. Vivendo no Vaticano e servido dos melhores vinhos junto às mais belas mulheres.
Eu queria saber o que faz o cotidiano ser assim tão chato mas ao mesmo tempo tão fascinante. Para mim é uma coisa repetitiva, o que acontece hoje provavelmente irá acontecer outro dia, não igual, mas travestido com uma nova roupagem, talvez para nos iludir de que seja algo novo. Talvez seja isso mesmo que o faça fascinante, como em um “eterno retorno”, por ser tudo tão igual ou pelo menos parecido é que há alguma graça em observar o nosso dia-a-dia, procurar as variações que nele há ou mesmo as coisas que são iguais ou que pareçam iguais perante nossos olhos tão acostumados com a falta de luz. Criamos o calendário, o relógio, a hora do almoço, tudo baseado na repetição, tudo para que nada fuga do nosso controle, tudo para o nosso controle não fuga de nós. Para que nossos atos e as ações das outras pessoas sejam previsíveis, para que quem nos controla saiba o que estamos fazendo em determinado momento. Tentar sair dessa repetição é arriscado ou até perigoso pois o ser humano sempre tentou fazer o possível para que nada lhe surpreendesse, que nada saísse do seu controle, por isso há uma forte repressão social para os indivíduos que tentam sair do considerado normal; os loucos são internados em asilos, os “marginais” são presos em jaulas, etc. Alguns se sentem felizes com os dias da semana, planejam o que irão fazer na semana, mesmo sabendo que essa semana será igual a passada, se sentem felizes com o familiar, com o rotineiro. Já outros não suportam esse esquema de calendário, acordar tal hora, comer, trabalhar, transar, ir ao banheiro, etc. sempre em determinados horários por isso “inventam” mil e uma maneiras de se afastar disso, ou simplesmente fogem. Não sei se sou eu que sou pessimista mas é assim que eu vejo o cotidiano: uma eterna repetição de coisas diferentemente iguais, por mais estranho que isso possa parecer. E a melhor maneira de acabar com isso, pelo menos para mim, é fugindo, de uma forma ou de outra, disso que chamamos de rotina.
bem, agora eu tb faço parte desse blog... daki uns dias eu posto aki..ou não! (sabe como é neh, vida de vestibulanda é dificil) brigadinha pelo convite Pedro.
Raposão e Pivete estavam no botequim quando avistaram o cara que tinha matado um velho amigo deles, nunca haviam achado o corpo, mas tinham convicção, pois o cara andava muito com Toninho e pertencia a uma facção rival; traição. É Pivete quem primeiro vê o tal cara, descendo de moto na casa de uma vadia que habita na região.Ele, afobado, já quer logo ir até lá e espancar o intruso. E Raposão, sangue frio e experiente, que diz pra esperar. Ele pretende seguir o cara até a casa do mesmo, e é isso que ele faz. Pivete não entende a atitude do companheiro e fala: “Pô raposão! Olha o maluco ali mermão, vamo lá apaga o cara!”. Raposão diz a ele para se conter porque ele tem uma idéia melhor na cabeça. Ambos voltam para o seu território, sentam no mesmo botequim, só que desta vez acompanhados de mais amigos que trabalhavam durante o dia. Contam o fato ocorrido, que desperta a mesma ira nos novos comparsas. É aí que raposão, já alcoolizado como todos naquela mesa, expõe seu plano. Pretende invadir a casa do tal cara, violentar as mulheres da família da vítima em sua frente, tortura-lo e só depois matá-lo.Todos na mesa vibram com o plano e saem com o para colocar em prática.Ao arrombarem a casa da vítima, se deparam com o cara e seu amigo Toninho deitados nus na cama. Os invasores executam os dois, indignados com o ex-amigo.