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                      Sábado, Outubro 19, 2002

10/19/2002 04:26:39 PM

Cidades

Negros, mestiços e pobres de todos os tipos dependurados em morros, alimentando-se de restos, alimentando-se de ódio, alimentando-se de tristeza; isso tudo nunca foi problema, por estar assim tão longe; eles se inventaram, construiram-se malandros, fizeram-se com uma cultura própria , resto de outras, o que lhe sobravam. Em meio ao vazio social sempre moraram, sempre lutaram, sempre morreram, até que alguém subiu o morro em busca do que eles tinham para oferecer. Fez-se a guerra.
Agora todos querem conhecê-los, todos querem ajudá-los. Quando eram só malandros, quando só dançavam o carnaval, quando só morriam lá isolados, estavam só. Agora desceram o morro para pegar o que eles dizem ser de direito deles, à mão armada, que seja! Guerra urbana, táticas de guerrilha, toda guerra é cruel. Agora fazem filmes, lhe dão o direito da palavra, para que? Conhecer para destruir, ajudá-los para que eles não façam nada de mal a nós do “asfalto”, hipocritamente estamos preocupados, hipocritamente a maior rede de TV brasileira faz uma série sobre eles e nós hipocritamente aplaudimos, o que queremos é vê-los distantes, longe lá na vida que deus deu-lhes, longe lá na tela, puro entretenimento.
A dialética se faz presente nesse momento, a cidade dos homens se expande, se torna monstruosa , com toda sua riqueza, com toda sua opulência, ganância, cresce, mas mostra as suas fraquezas, quanto maior, quanto mais rica mais mostrará a sua fraqueza, a sua grandiosidade fornece as armas para sua destruição, pois essa grandeza se faz em cima de diferenças, desigualdades e mentiras. Só quando essas diferenças forem apagadas, só quando conseguirmos lidar com as diferenças é que algo realmente poderá ser feito e não – nunca – somente com a caridade ou qualquer outro maquiamento da realidade.

posted by Eduardo Pinheiro | c_eduardo_p@yahoo.com.br | Comente:

10/19/2002 03:12:43 PM

Que legal, acabo de perder o que havia escrito porque o computador deu pau!!!
Ta certo que não era muita coisa, ta certo que não era coisa muito booa, mas fui eu que escrevi!!1
Era um filho meu. Uma criação da minha confusa cabeça. É ruim quando se perde algo, por menor que seja.
Agora estou aqui, velando meus escritos e enrolando porque não sei o que escrever. Triste esse fim.



Agora tem uma matilha de atrizes comedoras de arroz cristal brigando por causa de política!!!
Onde é que o mundo vai parar??? No cu do lula?? Ops, do Judas? Essa situação e no mínimo constangedora para ambos os candidatos, opra não citar as arrozeiras. Fodam se todos!!!

posted by pedro palazzo | pedro@ocotidiano.tk | Comente:

                      Quinta-feira, Outubro 17, 2002

10/17/2002 11:22:01 PM

ESTAGNAÇÃO POPULAR



Estava eu ali, em frente à TV (que ironia não?), assistindo um dos canais – a cabo – que prestam; o canal Brasil. Essa semana está passando uma programação temática; ‘a política no cinema’. E hoje, especialmente programas sobre a vida e Governo de Jânio Quadros. Figura marcante e “obscura” da política brasileira. Digo “obscura”, porque essa foi a palavra usada por ele no ato de sua renuncia. Mas o fato é que essa figura política causou muita polêmica. E isso é bom, pelo menos assim o povo participava da vida política do país de algum modo.
Naquela época – que precedeu a Ditadura – o povo participava muito mais das discussões políticas. No caso de Jânio, era aclamado pelas classes mais esclarecidas da sociedade. Porém era dito um comunista perigoso segundo as camadas mais inferiores da sociedade – aparentemente incapazes de compor uma opinião própria. É isso que me indigna, naqueles tempos, com menos acesso a informação – como já foi tratado aqui nesse espaço – o ‘povo’ era mais interessado. Nossa geração é uma vergonha, para nossos pais, para nós mesmos, para todos.
Isso deveria mudar, o problema é que só sabemos falar. Isso mesmo, todos nós. Eu, você e o outro. Ninguém faz nada, só reclama. Assim nada vai mudar.


Ps0: espero fazer logo a minha parte para essa mudança.



posted by pedro palazzo | pedro@ocotidiano.tk | Comente:

10/17/2002 01:43:23 PM

No Brasil, de índios e negros, a obra colonial de Portugal foi também radical. Seu produto verdadeiro não foram os ouros afanosamente buscados e achados, nem as mercadorias produzidas e exportadas. Nem mesmo o que tantas riquezas permitiram erguer no Velho Mundo. Seu produto real foi um povo-nação, aqui plasmado principalmente pela mestiçagem, que se multiplica prodigiosamente como uma morena humanidade em flor, à espera do seu destino. Claro destino, singelo, de simplesmente ser, entre os povos, e de existir para si mesmos.
Nada é mais continuado, tampouco é tão permanente, ao longo desses cinco séculos, do que essa classe dirigente exógena e infiel a seu povo. No afã de gastar gentes e matas, bichos e coisas para lucrar, acabam com as florestas mais portentosas da terra. Desmontam morrarias incomensuráveis, na busca de minerais. Erodem e arrasam terras sem conta. Gastam gente, aos milhões.
Tudo, nos séculos, transformou-se incessantemente. Só ela, a classe dirigente, permaneceu igual a si mesma, exercendo sua interminável hegemonia. Senhorios velhos se sucedem em senhorios novos, super-homogêneos e solidários entre si, numa férrea união superarmada e a tudo predisposta para manter o povo gemendo e produzindo. Não o que querem e precisam mas o que lhes mandam produzir, na forma que impõem, indiferentes a seu destino.
Não alcançam, aqui, nem mesmo a façanha menor de gerar uma prosperidade generalizável à massa trabalhadora, tal como se conseguiu, sob os mesmos regimes, em outras áreas. Menos êxito teve, ainda, em seus esforços por integrar-se na civilização industrial. Hoje, seu desígnio é forçar-nos à marginalidade na civilização que está emergindo.
(Darcy Ribeiro - O Povo Brasileiro)

posted by Eduardo Pinheiro | c_eduardo_p@yahoo.com.br | Comente:

                      Quarta-feira, Outubro 16, 2002

10/16/2002 10:29:29 PM

"eu morri e nem sei mesmo, qual foi aquele mês. metrô linha 743

posted by pedro palazzo | pedro@ocotidiano.tk | Comente:

10/16/2002 10:02:37 PM

peço aos leitores desse blog que mandem e-mails para o endereço ao lado comentando e/ou sugerindo algo para melhorarmos o blog, obrigado.

posted by pedro palazzo | pedro@ocotidiano.tk | Comente:

10/16/2002 09:59:45 PM

SOBRE O COMANDO DELTA




QUEM SÃO ELES



“Comando Delta é o nome que se deu (batizado por eles mesmos) às pessoas que verdadeiramente governam esse país desde 1500. São grandes e megaempresários nacionais e internacionais de todas as áreas. São funcionários do Executivo, Judiciário e Legislativo. Alem de organismos internacionais de investigações governamentais. Que se unem para ditar as regras de tudo e para todos. Principalmente na escolha do presidente da República. Foram eles que decidiram que Sarney tinha de tomar posse. E não Ulisses Guimarães, como mandava a Constituição Federal. Foram eles
Que decretaram que Collor tinha de sair pela porta dos fundos. Investigando e achando corrupção praticada por eles mesmos. Que deram dinheiro para a campanha de Collor e depois denunciaram. Foram eles que decretaram que FHC seria o candidato e não o deixaram apoiar Collor como queria. Agora eles se unem desesperados para fazer o sucessor de FHC. Queriam Aécio como candidato, mas o teimoso Serra atrapalhou e deixou muita gente nervosa. A imprensa noticiou reuniões “secretas” de banqueiros, empresários e empreiteiros com Aécio, Serra e FHC. Bem antes do início das disputas. Agora contam também com especuladores internacionais que ditam normas para nossa economia. Com aumentos injustificáveis do dólar e de pressões de acordos antecipados. Se não bastasse, o Comando Delta recebeu como membros os mais novos interessados, que são os empresários internacionais que ganharam as teles – companhias de telecomunicação – de presente de FHC. Esse pessoal do comando fatura 90 por cento do que se lucra no país e não irá abrir mão de continuar a faturar como querem e bem entendem. Em detrimento da sofrida população brasileira. Irão tentar fazer o presidente da República a qualquer custo. Qualquer!”


Retirado da edição de setembro da revista Caros Amigos, – uma das poucas ainda legíveis – escrito por Francisco Carlos Garisto; presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais

posted by pedro palazzo | pedro@ocotidiano.tk | Comente:

10/16/2002 09:59:01 PM


NECESSITAMOS DE MUDANÇAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL



Como deveria ser bom quando não existia televisão. Não existia tanta alienação (alienação em massa é a grande sacada dos carcarás do poder.). Antes da televisão tínhamos o rádio. Que também fora usado – e muito – como instrumento de alienação. Os grandes generais mandavam mensagens de apoio aos soldados americanos, enquanto estes eram massacrados no Vietnã. Também foi muito usado para comunicação militar, em campos de batalha para localização. Mais antigamente as formas de comunicação eram a famosa (e discriminada) fofoca entre vizinhos, ou, entre os mais informados e possibilitados, os livros.
Penso como deveria ser bom quando as informações eram obtidas através apenas do atualmente escasso contato pessoal – diga-se que a crescente hostilidade é um dos grandes motivos da violência – e através dos livros. Ah, os livros. Como são belos e cheios de vida os livros. Claro, uns são mais que os outros, mas todos têm a sua beleza e encanto próprio. Quando se abre um livro é descoberto um mundo novo pronto a ser irrompido pelo leitor. – eu sei que isso ta parecendo propaganda do Ministério da Cultura, mas é assim que me sinto quando fico envolvido pela estória de um livro.
Uma pena estarmos na fase da tecnologia, onde qualquer informação, e/ou opinião é manipulada. E isso é o que mais acontece. Vejam só: os jornais – pelo menos os daqui de Goiás – são todos comprados pelo governo. A globo, hum! Basta dizer que é do Roberto marinho. O SBT pertence a um palhaço, a Record é do Edir “capetão” Macedo. As rádios também sofrem repressão do governo, – novamente ressalto, pelo menos aqui em Goiás – tanto que um radialista (sim, sensacionalista, mas e daí?) teve que fugir várias vezes sob ameaça de morte. A internet nem se fala, é um antro de mentiras. Salvo alguns jornais e revistas e outros poucos canais, os meios de comunicação social são em si uma grande mentira. Veja o bom exemplo das novelas globais. São programas de audiência espantosa, às vezes são usadas para veicular alguma campanha do tipo “ajudem as criancinhas” ou “salvem as baleias”, salvo isso, esses formadores de opinião emporcalham nossas casas com suas idéias – as idéias do Comando Delta; falaremos disso depois. – existem novelas (ressaltamos aqui que novela é um estilo literário, geralmente feito em prosa) escritas que são lindas. Mas quando elas são filmadas... Ta feita a cagada.
É por isso que proponho um boicote (parcial) a TV – saibam que os próprios artistas de televisão nem têm esse maldito aparelho em casa. Deveríamos começar a questionar mais para melhorar a comunicação feita aqui no nosso país. Se nos não o fizermos que o fará?

posted by pedro palazzo | pedro@ocotidiano.tk | Comente:

                      Segunda-feira, Outubro 14, 2002

10/14/2002 01:46:09 PM


COISAS DA VIDA



Levantara disposto a mudar de vida. Já estava cansado da rotina que tinha. A mesma coisa todos os dias. Era estafante ver a vida sempre do mesmo modo, queria algo novo. Não buscava novos preceitos religiosos, não achava a religião de grande importância na vida das pessoas, para ele bastava ter fé. Portanto não viraria evangélico nem budista. Ele buscava uma tal de “grande beleza do mundo” que ouvira falar num filme. Na realidade, não acreditava muito na sua existência, – devido o seu caráter cético – mas queria acreditar.
Esteve refletindo por bastante tempo, juntando pedaços de frases, discursos, e pensamentos que já tinha lido ou ouvido mundo afora. Não era fácil pensar sobre isso. Era como fugir do senso comum. E o mundo todo – entenda-se pelo ser humano – conspira contra isso. Então estavam ali; ele, a cerveja e o seu maço de cigarros. Tinha plena consciência de que tais drogas matam, mas e daí? – pensava ele. Costumava dizer que vamos todos morrer um dia mesmo, e esperava não morrer muito velho e decadente. Escolhera aproveitar os prazeres de uma curta vida.
Passaram se horas e lá estava ele num embate filosófico consigo mesmo. A essa altura da madrugada já estava bêbado. E os pensamentos fluíam na sua cabeça como água jorrando de uma mina. Sempre achara que seu cérebro funcionava melhor sob o efeito do álcool. Respirava fundo a brisa pura e fria daquela noite quente. Adorava aquele odor. Era uma das pequenas coisas da vida que gostava – pensou ele.
Nesse momento descobrira a chave da questão. Era isso. São as pequenas coisas da vida que possuem a maior importância sob todo o nosso mundo.Não foi uma descoberta muito original, vário já haviam dito o mesmo. Porem para ele foi de suma importância e mudou todo o rumo da sua vida – ou de sua morte.
Tomado pela alegria de sua descoberta, queria se embriagar. Foi então comprar mais bebida, pois a sua tinha acabado. Então percebeu que de uma só vez faria duas coisas que adorava porem a vida não lhe proporcionara muitas chances de fazer; andar pela rua na madrugada, e embriagar-se, sozinho. E foram essas pequenas coisas da vida que o mataram: ele foi assaltado no trajeto, muito bêbado que estava assustou o assaltante com seus movimentos bruscos e gargalhada sarcástica – isso porque já não se importava mais com o que estava prestes a acontecer, estava muito eufórico para preocupar-se com futilidades cotidianas. O assaltante deu-lhe dois tiros no tórax e saiu correndo sem levar nada: era apenas um garoto de doze anos.

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10/14/2002 01:45:37 PM

PRESENÇA DE JOANITA 2


(...). Ela fora levada ao seu novo quarto pela patroa. Nem conseguia acreditar, que sorte a dela, acabara de chegar e já encontrou um emprego desses. O serviço não era difícil, afinal aqueles burgueses mal ficavam em casa. Apenas os dois irmãos que estavam disputando para ver quem conseguiria transar com Joanita primeiro. Por isso João Vitor – o mais novo e único bombado – desfilava pela casa apenas de cueca exibindo-se para joanita. Esta, por sua vez, também não era nenhuma santa, mas continha-se para não perder o emprego.
Já Roberto, o mais velho, fazia a linha intelectual. Portanto teria, mas dificuldade na sua conquista, visto que Joanita era quase desprovida de cérebro.Mas ele não desistiu. E assim se passavam os dias, os irmão cada vez mais safados. Ela continha-se, mas já estava louca para pular encima de ambos e transaraté desidratar. Ficava louca quando estava lavando a louça e eles se insinuavam esfregando-se na bunda dela.
Não havia passado um mês e ela já se entregara. Primeiro para João Vitor, que ganhara a aposta. Quando descobriu que fora objeto de um joguete joanita se aborreceu.Mas como ela não tinha escrúpulos no dia seguinte estava ela novamente, cavalgando sob os irmãos – sim, a essa altura ela já havia transado com os dois, e pior, com os dois juntos – era uma ninfomaníaca. Só depois de cheirarem algum pó que conseguiam satisfazer o apetite sexual daquela pequena. E é claro, eles aplicavam a ela também.(...)

posted by pedro palazzo | pedro@ocotidiano.tk | Comente:

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