Edward Hopper foi um artista que viveu nos meados dos anos 20 nos Estados Unidos. Suas obras freqüentemente retratavam a solidão (ironicamente, ou não, ele morreu sozinho em 1961).
Eu acho que a solidão é um dos sentimentos mais belos e poéticos que existe .
***Edit: eu sei que as imagens ficaram pequenas, mas eu não estou com paciencia de redimensiona-las no phtoshop de novo. É uma palhaçada: uma hora fica muito grande, outra hora fica muito pequeno!
EM PAUTA: a porra da lei seca em goiás... e nesse caso, faço das palavras do meu irmão as minhas.
NÃO SEJAM PREGUIÇOSOS, LEIAM.!
Artigo :. Lei seca em debate “Proibir é típico de governo que possui um grande aparato repressor, o que obviamente não é o caso”
Reale Palazzo Vemo-nos às voltas com a proposta de uma lei seca (esclareça-se: limitação de horário para a venda de bebidas nos estabelecimentos comerciais, como os bares e boates). É uma novidade para nós, goianos. Vigora (ou não mais, não foi possível checar a informação) mesma lei no Distrito Federal e nas rodovias paulistas. Esta última vem lá do governo Quércia (1985), mas só foi regulamentada em 1999. A efetividade de uma imposição como essa nas estradas me parece inteligente: pesquisas indicam que 61% dos acidentados no trânsito estão sob efeito de bebida alcoólica; desses, 27,2% tinham uma quantidade de álcool no sangue superior à permitida pelo Código de Trânsito Brasileiro. Tenho, entretanto, algumas dúvidas quanto à efetividade de estendê-la aos aglomerados urbanos.
Pois a Secretaria da Segurança Pública de Goiás inicia um movimento para convercer as prefeituras a implantar leis secas em suas jurisdições. Recentemente, a Assembléia Legislativa do Estado aprovou a tal lei seca no âmbito de todo o Estado, em projeto apresentado pelo deputado Lívio Luciano. Mas a medida é inconstitucional e, invariavelmente, vai cair, pelo veto do Executivo ou na declaração de sua ilegalidade pelo Judiciário. Legislam sobre esse tipo de matéria apenas as câmaras municipais (é incrível como os deputados não sabiam disso – ou sabiam e...).
Minhas principais dúvidas quanto à efetividade desta lei estão no fato de que ela se pretende a uma ação supressora – ou desestimuladora – da criminalidade, da violência, e não uma estratégia de saúde pública (combate aos males do álcool etc.). Preocupa-me que a idéia surja de um órgão público cuja atribuição principal seja a de garantir ao cidadão condições para que ele, inclusive, possa dirigir-se a qualquer hora da noite a um bar para divertir-se, embriagar-se.
Uma antiga teoria da criminalidade, a chamada “vidraça quebrada”, ensina que os crimes migram para outros lugares quando são reprimidos. Deveriam, assim, preocupar-se as autoridades com as causas da violência. Se as pessoas realmente estão morrendo nos bares, é preciso saber o porquê e encontrar uma solução. Em Belo Horizonte – a cidade que não tem mar, tem bar –, por exemplo, 9% dos homicídios acontecem no boteco; nas vias públicas, 45,9% e 23,2% na casa da vítima. Não é pouco, mas nada tão alarmante.
Há também outros aspectos a avaliar e discutir bem antes de se aplicar uma lei seca. Em São Paulo, por exemplo, a maioria dos homicídios ocorre entre as 22 horas e a 1 hora. Ou seja, ir ao bar ou à boate só na matinê. Outra: durante a vigência da lei seca nos Estados Unidos de Al Capone, houve uma explosão do consumo de maconha. E mais, e muito pior, é que na maior parte das leis que se tenta implantar nos municípios brasileiros há uma diferenciação entre as regiões da cidade. Segrega-se moradores dos bairros mais pobres, esquecendo-se de que ali mora gente boa, pobre e boa.
É preciso avaliar muito bem a lei em razão de seu efeito colateral mais nocivo: o desemprego. Trabalho anda escasso atualmente. Não seria prudente adotar-se medidas recessivas, principalmente em razão de que na lei seca reside a brutal contradição de que desemprego gera violência. Proibir e combater são estratégias típicas de governos que possuem grande capacidade repressora, o que obviamente não temos. Quem vai fiscalizar se bebidas alcoólicas estão sendo vendidas no interior dos bares disfarçados de residências, por exemplo?
O poder público precisa parar de gerar paliativos e planejar a longo prazo um ataque às questões fundamentais da criminalidade: dar ocupação e renda digna ao cidadão, educação e oportunidade de vencer, elaborar políticas públicas para dotar as áreas carentes de infra-estrutura para o lazer, colocar a polícia na prevenção e dar uma basta na impunidade. Só.
Palmadas nas costas... - Ê, mas quanto tempo, Jorge! Tá tudo bão? - Tão tudo bão sim, Genésio, graças a deus! - Mas e a senhora sua muiér, como tá? - Ah, bem, graças a deus. E seu filhinho, que tava adoentado? Miorô? - Ih, miorô sim, graças a deus... mas agora a Janete tá com um pobrema sério de estômbo... - Num se preocupa não, com a graça de deus daqui uns dias ela miora... - Tenho que ir agora, Jorge, depois nóis se vê! Vai lá fazer uma visita! - Vou sim, e fica com deus!
Jaime não se sentia bem, já não agüentava mais aquela rotina, aquela vida, rodeado de pessoas de mau-caráter e corruptas. Não se adaptava. Na verdade nunca se adaptou, desde quando foi indicado, por um tio influente, para o cargo de funcionário de gabinete de um deputado qualquer. O tal deputado devia favores ao tio de Jaime, desses favores que não há como negar quando se é cobrado. Ele, Jaime, nunca gostou de política. Dizia que preferia ser um pequeno-burguês alienado a se envolver com essas questões “acima da nossa jurisdição”. Bem pensado, tinha consciência do aborrecimento que esse mundo pode causar, quando você se envolve no meio dessa lama toda. Mas na questão do emprego Jaime não teve escolha. Da família, a sua mãe era a que tinha o menor poder aquisitivo. O problema é que ela escolheu o caminho certo (pelo menos no que diz respeito à consciência limpa). E para ajudar em casa Jaime aceitou o emprego. No gabinete, já na primeira semana de serviço, foi informado; no contra-cheque seu salário seria X, porém ele só veria a terça parte disso. Era a condição, ou ele aceitava ou desistia. Provavelmente uma parte dessa grana estaria caindo direto na conta do ‘santo tio’. Realizava serviços corriqueiros: “copia isso” “imprime aquilo” “leva pra fulano assinar” etc. e o tempo passou, seis meses de escritório e o pessoal já tinha adquirido uma certa confiança no rapaz. Confiança ou comodidade, tanto faz, o fato é que esporadicamente começaram a lhe entregar envelopes (maletas) e dizendo para entregar nas mãos de um gerente de um banco. Às vezes, pacotes densos, pareciam estar cheios de notas de dinheiro. Outras vezes magros, contendo mais documentos e folhas de cheque. Havia-no transformado em um Office-boy. Já não fazia mais serviços internos. Nos momentos de ociosidade ficava ali, na sala, rogando pragas àqueles inescrupulosos seres que ali trabalhavam. Foi numa situação dessa que certa vez ouviu uma conversa. Parecia que uma empreiteira estava mandando a grana para o escritório. Jaime não era bobo, sabia que se envolvia empreiteiras devia ser um negócio suje, e que envolvia muito dinheiro. Só não entendia porque eles estavam mandando a grana para o escritório, e não diretamente ao banco. Porém isso não dizia respeito a ele. Logo bolou um plano, nada demais; quando lhe entregassem o malote ele o violaria e roubaria a grana, caso houvesse algo de comprometedor para o patrão, denunciaria. E assim o fez. No dia seguinte chega as suas mãos o malote, daqueles densos, pesados. Disseram que aquele especial e que ele deveria depositar em outro banco; suíço. Ao sair com o malote Jaime certificou-se de que não estava sendo vigiado, entrou no banheiro de um bar próximo dali e abriu o malote. Lá dentro, maços de notas de quinhentos dólares, e documentos que comprovavam venda de uma grande licitação tal empresa. Jaime então ligou anonimamente para a polícia e disse que em determinado lugar estariam documentos de grande interesse para a polícia. Enquanto isso ele pegava o dinheiro, sua mãe, e a estrada para longe dali. Assim o fez. Já na primeira barreira seu carro foi parado e averiguado. Encontraram os dólares e ainda um pacote de cocaína, plantado no carro. Jaime e sua mãe foram presos a principio sob a acusação de trafico de drogas. Desesperado, contou o que havia acontecido, de onde tinha vindo o dinheiro e onde havia deixado os documentos incriminando o deputado e a empreiteira. Já não adiantava mais. Ele caira numa armadilha arquitetada por seu tio – sócio do deputado -, eles faziam parte de um esquema de falsificação e lavagem de dólares, junto com os proprietários da empreiteira. E o lote de notas que foi entregue a Jaime já estava marcado, a polícia já sabia da existência dele, portanto ele deveria aparecer nas mãos de alguém. Já o documento, também era falsificado. Para deixar a história mais convincente eles forjaram vários indícios para incriminar Jaime. Ele e sua mãe foram presos, vitimas da ganância dele, Jaime, e principalmente dos que estão no poder. No caso, tio e irmão respectivamente.