Um dia de chuva
Escorre uma chuva amarga em meu rosto, um sorriso amarelo, e' tudo o que tenho para te dar e se agora pisas em flores espedaçadas e' por que o tempo passou. Passou sim, em um piscar de olhos, uma vida atravessada pela flecha que passa, zune em nossos ouvidos, mas temos duas maos, voce diria. Nada podem fazer. O ceu esta bastante longe, o chao perto demais. No maximo sentimos uma leve brisa que roça nossos cabelos e espalha as flores sob meus pes. Tao velho, tudo tao distante! Um espasmo, a embriagada loucura dos acreditam, essa fonte da juventude, nem isso mais posso te oferecer. Apenas um sorriso amarelo. Sao meus dentes, e' minha face, imutavel, diga de passagem, uma cegueira irredutivel que me diz coisas que nao deveria deixar de fazer mas temer e' a condiçao para estarmos vivos, e' a lei dos que morreram que temos de seguir. Afliçao dos descontentes. Minhas maos, novamente, nao conseguem segurar nada, meus olhos, vidrados, se acostumam a olhar esse deserto. Ouço passos, vejo vultos e nada mais. Sombras, sao apenas sombras...
posted by Eduardo Pinheiro | c_eduardo_p@yahoo.com.br |
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