Matéria do Diário da Manhã de hoje
A exposição Orixás da Bahia, do escultor baiano Tatti Moreno, que foi inaugurada ontem, dia da Consciência Negra, no Parque Vaca Brava, continua a gerar polêmica. Vinte pastores evangélicos marcaram para segunda-feira, às 17 horas, uma reunião com o prefeito Pedro Wilson. O objetivo, segundo o pastor Fábio Sousa, do Ministério Comunidade Cristã, é que as obras de arte sejam retiradas do local: “Queremos que as retirem de lá, ou que haja representação de todas as religiões.”
Fábio foi o organizador da manifestação contra as esculturas, ocorrida anteontem, e que levou cerca de 500 pessoas ao parque. Para ele, as esculturas representam o candomblé e afirma que nem todos os negros são desta religião, pois há pastores negros também. “Estão querendo impor uma religião aos afro-brasileiros e a todos os goianienses, e isto não pode existir.”
O pastor Jocíder Corrêa Batista, da Igreja Presbiteriana da Vila Nova, não acredita que os evangélicos estejam sendo racistas, por se tratar de uma discussão claramente religiosa. “Sou contra a utilização de terreno público para privilegiar o candomblé”, afirma. Ele aproveita para fazer uma crítica às próprias igrejas evangélicas, que, segundo ele, quase sempre fazem uso de terrenos doados pelo Estado. Jocíder pensa que a cultura afro poderia ser divulgada de outra forma, como por meio de museus. Ele reforça que está havendo propaganda da religião, o que abre precedente para as demais se manifestarem. “Não rejeitamos a cultura negra, mas a proposta religiosa do culto afro.”
Exagero – O monsenhor João Daiber, vigário-geral da Arquidiocese de Goiânia, diz que é preciso viver o respeito entre as religiões. Ele não vê necessidade de as esculturas serem retiradas do Vaca Brava. “Há exagero, pois os orixás representam uma cultura.” Daiber questiona o motivo dos evangélicos estarem tão incomodados com as esculturas: “E os presépios? Todo Natal há esse tipo de imagem no parque e eles nunca se manifestaram contra.”
O presidente da Federação Espírita do Estado de Goiás, Weimar Muniz, também não acha que os orixás devam ser retirados do local. “Temos que respeitar nossos semelhantes, sobretudo no campo religioso, embora pensemos de formas diferentes”, afirma. E acrescenta: “Não se pode esquecer que a liberdade religiosa é garantida pela Constituição federal. Cada um deverá responder pelos atos ilícitos que praticar.”
O sacerdote da Casa Alan Buru (do candomblé), Elmo Rocha, se diz assustado com o retrocesso histórico em questão. “É alienação racista, com elementos preconceituosos. É uma forma de instigar uma guerra santa.”
Ele ressalta o caráter cultural da exposição e a importância de se valorizar a etnia negra. “É muita falta de informação e de cultura por parte dos evangélicos que querem a retirada dos orixás”, revolta-se.
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Sobre isso:
Vou fazer uma manifestação contra os evangélicos que perturbam a minha vida gritando, fazendo espécies de cultos no meio da rua e me entregando papéis falando da religião deles! Isso é uma falta de respeito!
posted by Andrea Silveira | dedeiasonic@hotmail.com |
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